terça-feira, 26 de agosto de 2014

10 VALORES QUE DEVEM SER ENSINADOS AOS FILHOS



Educar os filhos é um dos maiores desafios enfrentado pelos pais, e um dos pontos mais importantes dessa tarefa é ensinar os bons valores à posteridade. Ter um bom caráter, distinguir o certo do errado, aprender a dividir, a ouvir, a respeitar… Esses são só alguns exemplos da educação que deve ser iniciada em casa.

Os bons valores são o que fazem com que a sociedade seja um lugar melhor para se viver e isso independe de cor, crença ou classe social. Por isso é importante passar esses ensinamentos aos pequenos o quanto antes.

Aqui estão 10 bons valores a serem ensinados aos filhos. O que mais você acrescentaria à lista?

Respeito
Pela família, pelos amigos e também por desconhecidos. É não ofender pessoas, ou menosprezá-las e entender que a sua liberdade termina quando a do outro começa. Cuidar do meio ambiente também entra na lista: jogar papel no lixo, não quebrar o banco da praça, prezar pelo espaço público. São pequenos atos que demonstram respeito ao espaço do outro e também ao espaço em que se vive.

Gentileza
É o "por favor", o "muito obrigado", o "bom dia", o "com licença". É oferecer ajuda à quem precisa, parar o carro para o pedestre atravessar na faixa e agradecer quando o motorista faz o mesmo por você.

Empatia
Já ouviu aquela frase: "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você"? Pois é. Colocar-se no lugar do outro é o primeiro passo para evitar muitos conflitos desnecessários. Também não debochar dos sentimentos alheios: você nunca sabe o que o outro está enfrentando ou teve que enfrentar.

Humildade
É entender que ninguém é melhor do que ninguém. Aceitar e assumir os erros também faz parte do aprendizado.

Responsabilidade
Cumprir com o que prometeu, aceitar e assumir erros (afinal errar é humano!), respeitar horários e obrigações. Se todo mundo faz a sua parte (mesmo que pareça pouco) o mundo flui melhor.

Persistência
Aceite que muitos erros serão cometidos antes do primeiro acerto e não desistir no primeiro obstáculo ou mesmo seguir sempre em frente, apesar das falhas. Às vezes é necessário apenas olhar o problema por um outro ângulo para conseguir resolvê-lo.

Tolerância e paciência
O mundo é composto por bilhões de pessoas e nem todas irão pensar ou agir da mesma forma que você ou terão as mesmas convicções e valores. Aprender a ser tolerante com quem é diferente torna as relações mais leves.

Integridade
É comum os pais ouvirem: "ah, mas todo mundo faz, por que eu não posso?". Fazer o certo, mesmo que todo mundo esteja fazendo errado. Fazer o bem, mesmo que ninguém esteja olhando ou que nenhuma recompensa seja dada. Discernir o certo do errado e seguir o que se acredita ser o correto sempre, e não de acordo com a conveniência do momento. Ser honesto, ético e justo.

Lealdade
Ser fiel aos amigos e a quem se quer bem. A pessoa que é leal é aquela em que se pode confiar e contar sempre.

Solidariedade
Aprender a dividir e doar o que se pode e o que se tem a quem precisa - sejam roupas ou mesmo um pouco de tempo e atenção. As crianças aprendem pela cópia, isso é fato. Então se você quer que o seu pequeno diga bom dia, por favor e obrigado, você terá que ser a primeira a dar o exemplo.

Por Tissiane Vicentin In: Villa Mulher

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Alimentos que podem ser perigosos para seu filho



Conforme seu filho vai crescendo, passa a querer experimentar a comida dos adultos, e você faz muito bem de aproveitar essa curiosidade e variar ao máximo a alimentação dele. Mas é preciso ficar de olho em certos alimentos inadequados, pelo potencial de engasgos.

O que não dar ao seu filho de 1 a 2 anos

Leite desnatado, tipo C ou light
A maioria das crianças dessa idade precisa das calorias e da gordura presentes no leite integral (tipo A ou B) para crescer. Até a gordura é saudável, pois existem vitaminas que são lipossolúveis, ou seja, precisam da gordura para ser absorvidas. Depois que a criança fizer 2 anos, dependendo da situação, o pediatra pode orientar a adoção de um leite semidesnatado.

Alimentos com risco de engasgo

- Comida em pedaços grandes: Pique tudo bem pequeno antes de dar à criança. Na salada, pique ou rale a cenoura, beterraba ou erva-doce, ou então cozinhe primeiro. Frutas pequenas como uvas devem ser cortadas em quatro, assim como tomates-cereja. Todos os tipos de carne e queijo devem ser picados em pedaços miúdos.

- Alimentos pequenos e duros (balas, todo tipo de castanha, passas secas). Cuidado com pirulitos, pois a bala pode se soltar do palito de repente.

- Alimentos moles e grudentos: Chicletes, balas moles e doces como o brigadeiro podem ficar presos na garganta, e são ainda mais difíceis de ser retirados. Evite chicletes e balas, e, se for dar docinhos, ensine a criança a mordê-los, em vez de enfiar tudo na boca de uma só vez. Creme de amendoim e doce de leite muito espessos também grudam na garganta: só dê ao seu filho passado em pães ou bolacha, numa camada fina, e nunca na colher.

- O risco de engasgo aumenta se a criança resolver correr, pular ou brincar quando estiver comendo. Um susto também pode ser perigoso. Por isso o ideal é que ela coma num ambiente tranquilo, sempre sob a supervisão de um adulto.

- Comer no carro: Evite deixar seu filho se alimentar dentro do veículo, pois será mais difícil tomar conta dele.

O que não dar ao seu filho de 2 a 3 anos


Alimentos com risco de engasgo

Embora a criança esteja comendo cada vez melhor, ainda há risco de ela engasgar. Continue evitando os alimentos citados acima (1 a 2 anos), e tente não deixar seu filho comer fazendo outra atividade ao mesmo tempo, como correr, andar, brincar. Ele pode se distrair e acabar se engasgando.

Depois dos 3 anos, os cuidados devem permanecer, mas ainda é preciso ficar de olho em castanhas, amendoins, balas e pipoca, que podem bloquear a respiração da criança caso sejam inalados.

De olho nas alergias


Existe certa polêmica entre os especialistas quanto à estratégia de adiar ao máximo a introdução de alimentos que possam causar reações alérgicas. A recomendação mais tradicional é, no caso de crianças com familiares alérgicos, esperar até 1 ano para dar pela primeira vez alimentos como clara de ovo e frutas vermelhas.

Mas estudos começaram a demonstrar que esse tipo de atitude não evita o surgimento da alergia. De qualquer forma, quanto maior a criança, melhor ela poderá se expressar se estiver sentindo alguma coisa diferente.

Clara de ovo, amendoim, castanhas, frutos do mar e peixes são os alimentos que mais causam alergia, além de leite, trigo e soja. Componentes de alimentos industrializados, como corantes, também podem causar reações alérgicas.

Quando você for dar alguma dessas coisas pela primeira vez ao seu filho, observe-o bem, e não dê muitas novidades ao mesmo tempo, para ficar mais fácil de identificar uma possível reação.

Escrito para o BabyCenter Brasil
Aprovado pelo Conselho Médico do BabyCenter Brasil

Mães Concurseiras - Uma história de sucesso

Núbia Oliveira
12/05/2013

Tudo começa naquele dia que descobrimos estar grávidas. Para a maioria das mulheres a felicidade é imensa, e o pânico também: nunca mais a vida será como antes! Já não poderemos mais nos guiar apenas pelos nossos próprios desejos e jamais seremos cem por cento livres novamente.

Mas e daí? Quando eles nascem, aquelas coisinhas tão pequeninas, que dependem de nós para tudo, inspiram um sentimento tão profundo de amor, que o preço da liberdade e da autonomia parecem insignificantes. E a partir desse momento passamos a guiar nossos passos sempre levando em consideração o que será melhor para eles.

Algumas mulheres chegam à fase da maternidade no momento em que já alcançaram realização em outros campos de sua existência. Mas essa não é a realidade da maioria. E não é porque os filhos nasceram que deixamos de ser mulheres, esposas e profissionais. As aspirações de encontrar a realização em outros setores da vida continuam ali.

É nessa busca que muitas de nós nos deparamos com o mundo do concurso público. E como ele nos parece particularmente belo, não é? Nele temos nossos direitos protegidos de forma segura, e não precisamos nos submeter à tirania do setor privado, que é capaz de demitir uma mulher na primeira oportunidade que a lei permita, simplesmente porque ela ficou grávida e agora terá outras responsabilidades. Na carreira pública não tememos perder o emprego, ou sofrer outro tipo de represália, quando tivermos de faltar ao serviço para levar o filho ao hospital (e nos munirmos do devido atestado médico, obviamente). Prestando serviço público temos horário certo para entrar e sair do trabalho, sem sermos obrigadas a fazer incontáveis horas extras porque o patrão quer até a nossa última gota de suor e energia criativa (e os filhos que fiquem sozinhos em casa). Também não somos “coagidas” a levar trabalho para casa, nem a usar nossos finais de semana para dar conta de uma demanda que deveria ser de outro profissional que o patrão não quer contratar para não reduzir os seus lucros... enfim, conseguir um emprego via concurso público muitas vezes nos parece a forma mais lógica de termos uma vida relativamente tranquila e digna, onde poderemos dar a nossa família a atenção que desejamos e o suporte que ela precisa.

Tudo muito lindo e perfeito, vou ser servidora pública!

É aí que as coisas começam a complicar... para conseguir um bom cargo público é necessário estudar, e estudar muito! Quanto melhor for o cargo, maior tem de ser o estudo e a dedicação. E isso leva tempo, mexe como o nosso emocional, perturba o equilíbrio familiar e exige disciplina e planejamento. Ou seja, há um preço a pagar, e ele é alto.

É exatamente no momento em que tomam consciência do tamanho desse preço que a maioria das pessoas desistem, sejam elas mães ou não. As que são mãe, logo se ESCONDEM atrás de seus filhos... “meus filhos precisam de mim, não posso gastar esse tempo todo estudando”, “se eu me dedicar ao estudo, não vou poder cuidar dele sozinha”, “tadinho, nunca vai entender que eu preciso passar algum tempo desligada dele para estudar”... e assim enterram de vez as pretensões que um dia tiveram de se realizar profissionalmente, ou então submetem-se a uma carreira mais simples, que lhes fará pagar um preço menor todos os dias de sua existência, porque não tem coragem de pagá-lo de uma vez só por um determinado período.

Mas nem todas as mães ESCONDEM-SE atrás de seus filhos quando se deparam com as dificuldades de estudar para um bom cargo público. Pelo contrário, algumas assumem a postura de ESCUDO deles: “eu vou conseguir passar e dar uma vida melhor para a minha família”. A essas bravas guerreiras, a minha mais sincera admiração!

Como se já não bastassem todas as dificuldades inerentes a vida de um concurseiro, as mães concurseiras ainda tem de lidar com um grande peso extra: o sentimento de culpa pelo tempo em que não podem dar atenção ao filho. Esse fator é tão expressivo que a maioria de nós tenta minimizá-lo ao máximo, sempre arrumando estratégias que nos permitam estudar e mantê-los sob nossa vista, ou fazendo os mais diversos malabarismos na rotina atribulada para conciliar estudos e disponibilidade.

Sou mãe de duas crianças e sempre me perguntam sobre as estratégias que usei. Foram várias, mas poucas de caso pensado. A necessidade surgia e eu tentava arrumar uma solução. Quando comecei a me tornar uma concurseira de verdade, minha filha tinha 8 anos, e meu filho 2 anos. Não sei quantas vezes, por exemplo, estudei com meu filho no colo (principalmente quando ele estava meio doentinho), colocando um filme no computador e fones de ouvido nele, enquanto eu lia o livro que estava no suporte ao lado. Também por várias vezes coloquei-os para dormir escutando aulas no fone do celular (só aulas que já tivesse visto). Fazia isso também quando cozinhava aquelas “comidinhas de mãe” para eles. Da mesma forma ficava ouvindo/vendo aulas no som do carro enquanto os esperava sair da escola, e até mesmo enquanto dirigia com eles dentro do carro. Se eu estivesse ouvindo qualquer coisa, respeitavam e ficavam em silêncio. Engraçado que eles podem até não conhecer alguns artistas famosos (não tenho TV em casa), mas sabem apontar quem é Ricardo Alexandre, Sílvio Sande, Ricardo Vale e cia (rsrs).

Mesmo adotando essas e outras estratégias, muitas das vezes que eles precisaram de mim eu não estava lá. Minha filha foi fazer várias provas sem que eu tivesse tido tempo de passar a matéria com ela. Meus filhos perderam alguns aniversários de colegas porque eu não tive tempo de sair para comprar o presente, e também nem teria de leva-los à festa. Deixamos de fazer vários programas em família porque gastaria tempo. Não estive presente em algumas reuniões do colégio porque precisava dormir naquele horário, já que tinha passado a madrugada estudando. Não me fiz presente em várias brincadeiras em que eles solicitavam a minha atenção. Não os ouvi em vários momentos que queriam falar, porque naquele momento era a minha hora de estudar.

E sabem como eles reagiam? Como qualquer outra criança: ficavam chateados, choravam, reclamavam... mas findavam se conformando e entendendo. Do preço total a ser pago, essa era a parte que lhes cabia, e eles tinham consciência disso (em maior ou menor grau). Para compensá-los eu separava algum tempo na semana para dar-lhes atenção integral. Atenção de verdade, aquela que estamos de corpo e mente presente, certo? O que mais tem por aí é mãe que passa o dia inteiro com os filhos de forma quase mecanizada. E, mesmo não fazendo todos os passeios que eles queriam, nem levando-os a todos os aniversários que tinham para ir, sempre que possível deixava que eles escolhessem um programa.

Acredito que foi nessa busca pelo equilíbrio que se desenvolveu um dos fatos que mais tenho orgulho desse tempo de estudo: ter conseguido envolve-los no NOSSO PROJETO DE EU ME TORNAR UMA AFRFB. Nenhum deles hoje é traumatizado por causa dos “NÃOS” que levou. Pelo contrário! Internalizaram que quando queremos algo de verdade, precisamos pagar o preço para alcança-lo. E que isto não é um problema, é justiça. Afinal, nada ensina mais que o exemplo.

Acredito que o primeiro passo para conseguir o respeito, a admiração e a parceria deles, é fazer o possível para conciliar as necessidades deles as suas, e vice-versa. Algumas doses de “não” nos momentos apropriados, e pela causa certa, podem fazer eles valorizarem e pagar de bom grado o preço pelo teu “sim”. Isso ocorre, principalmente, quando você consegue fazer com que eles percebam, através de suas atitudes, que no momento deles você está ali de corpo e alma, fazendo o melhor por eles. Parafraseando Che Guevara: é ser firme, mas sem perder a ternura...

Lembram de um artigo anterior que publiquei fotos com os post’it? De vez em quando minha filha pegava um e deixava recadinhos para mim:


Ter conseguido alcançar o meu objetivo, após uma longa e extenuante jornada, trouxe-me muitas alegrias. Mas nenhuma delas eu valorizo mais que o olhar de admiração da minha filha, o orgulho na voz do meu filho, e o respeito que eles tem por mim.

Nesse Dia das Mães, os meu mais profundo e sinceros parabéns a essas guerreiras concurseiras que estão buscando na carreira pública a sua realização profissional, para poderem oferecer uma vida melhor a seus filhos. Vocês sabem que tudo é possível quando há amor e dedicação.

Esse é o primeiro Dia das Mães que passo do lado de cá.
Ano que vem quero várias de vocês desse lado também!!

Um abraço de “mãe”,
Núbia Oliveira
nubiaoliveira@e-concurseiro.com.br
www.facebook.com/nubia.oliveira.00

Mães concurseiras ensinam como conciliar estudos e família

Do CorreioWeb



Elas não pulam de prédios, vêem através de paredes ou voam de uniforme, mas têm super poderes. Exímias donas de casa durante o dia e assíduas frequentadoras de cursinhos preparatórios à noite, as mães concurseiras compõem hoje uma nova modalidade de super-heróis, afinal só uma verdadeira heroína consegue ao mesmo tempo ler uma apostila de 400 páginas de direito administrativo e constitucional e pensar no prato favorito do filho para o almoço do outro dia.

Mas nada é tão fácil como parece. No caminho para a aprovação e estabilidade profissional, muitos vilões aparecem para desviá-las de seu objetivo; como o tempo, por exemplo, ou a falta dele. Nessa luta diária para conciliar estudos e família e para satisfazer os dois lados com qualidade, o que motiva toda supermãe é a certeza de que vale a pena o sacrifício em nome do futuro dos filhos. Conheça abaixo as histórias de algumas delas.

Super Marcela
Quatro meses antes de saber que seria mãe, Marcela Muratori, 31, largou o trabalho como administradora na iniciativa privada e decidiu virar concurseira. Com a notícia do bebê, ela resolveu parar os estudos e recomeçá-los apenas quando o pequeno Arthur completasse um ano de vida. Apesar do começo atribulado, hoje a estudante consegue administrar bem sua própria rotina. “Acordo todos os dias às 6h, levo meu filho às 7h30 para a escola de tempo integral, volto, dou uma arrumada na casa, e tiro o resto da manhã e a tarde para estudar. Quando o Arthur chega às 18h fico com ele até a hora de dormir e volto a estudar até meia noite”. Nessa maratona, ela só tem folga nos finais de semana, quando se dedica exclusivamente ao filho; e mesmo muito disciplinada, ela admite que nenhuma rotina está livre de alterações quando se trata dos pequenos. “Sempre penso no Arthur em primeiro lugar, ele quem me dá convicção e força para continuar estudando, mas nessa semana mesmo ele teve começo de pneumonia e não pude estudar muito”, relata.

Super Adelina
Mesmo com apenas uma filha e já crescida - Bruna tem hoje 20 anos -, Adelina de Andrade (foto) também encontra dificuldades para conciliar o papel da família e dos estudos em sua vida. Como mora com a mãe, a casa quase sempre fica lotada de netos, e o pior, Adelina descobriu há dois anos que possui Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que não a deixa se concentrar nos estudos sem que haja silêncio absoluto. “Estudar com a responsabilidade de passar não é fácil, então a colaboração de todos é fundamental. Mesmo com a lei que criei aqui em casa, de que a prioridade é sempre para quem está estudando, o melhor horário que encontrei é de madrugada - fico acordada até às 2h da manhã”. Em meio a todas as provações, a super mãe Adelina não se deixa abater, e com todo o conhecimento adquirido na vida, ela deixa um conselho valioso aos filhos: “Estudem quando a mãe mandar, porque assim a vida ficará mais fácil”.

Super Camila
Enquanto Camila Lopes, 28, estuda, o bebê de quatro anos assiste televisão ou brinca. Geralmente é interrompida. “Ele fica me chamando e eu tenho que largar os livros. Às vezes até desisto e fico com ele de uma vez”. Quando arranja um horário livre, entre as brechas dos compromissos diários, ela aproveita para colocar o estudo em dia. De acordo com a concurseira, nem sempre o tempo é bem aproveitado. “Quando chega a hora do meu filho para dormir é um daqueles momentos em que há paz para estudar. Mas aí já fiz tanta coisa durante o dia que fico muito cansada”.

Para ela, o esforço de passar em um concurso é um investimento que demanda sacrifícios – e vale a pena. Além da vaga, Camila pretende conquistar o gosto do filho pelos livros. “Sempre tento levar a lição também. Eu digo: ‘filho, a mamãe vai estudar agora’ e acho que isso acaba incentivando”, destaca.

Super Ana Claudia
A estudante Ana Claudia Graim, 40, se dedica aos concursos há um ano. Metade desse período foi utilizado para superar a saída do trabalho. Em processo de divórcio e mãe de três crianças, ela precisou pensar bem na decisão de se dedicar exclusivamente aos estudos. “Trabalho desde a faculdade. Foi um processo difícil, em que eu ficava muito deprimida por achar que estava fazendo algo errado e por não ter mais o dinheiro que eu tinha antes”, recorda.

A renda familiar diminuiu e o lazer ficou de lado. Ela e os filhos passaram a viver da pensão que o marido oferece mensalmente. Os filhos, segundo a estudante, foram compreensivos e solidários. “A gente não sai mais da cidade, não vai a praia, mas eles entendem”, conta. “Às vezes ficam estressados e ansiosos para que eu passe logo, mas disse a eles que estamos em uma fase de plantar para colher depois: a parte da plantação é o maior trabalho, o grande sacrifício, mas depois ficamos bem”.

Super Roberta
A professora Roberta Guedes, 40, dá aula em um cursinho preparatório para concursos e em duas faculdades. Além disso, também é consultora educacional em uma delas. Trabalha das 8h às 11h45, das 14h às 17h45 e das 19h às 23h. Logo após a separação do marido, quando a filha tinha 8 anos e o filho, 6, Roberta percebeu que eles reclamavam muito sobre a sua falta, e se não tinha mais ninguém para olhá-los, ela levava os pequenos para as aulas. “Como professora, vejo que isso é muito comum nas salas de aula. Não é o melhor para a criança, já que ele não está acostumado com o ambiente, nem para a mulher, por se sentir constrangida”, opina. Mas a professora não reclama da correria, acredita que é possível viver bem com sua própria realidade, e deixa uma mensagem para as mães que como ela se dividem em muitas para dar conta do recado. “Não é a quantidade do tempo que vai dizer se a mãe é boa ou não, mas a qualidade. Não importa se o tempo que ela tem é curto, o que importa é que seja um tempo bem aproveitado”.

Dicas de especialista
De acordo com a psicóloga Stela Lobato, vida de mãe concurseira é realmente complicada, mas o segredo vai além de saber aproveitar os poucos momentos de paz que se apresentam, é preciso também provocá-los dentro da rotina diária. “Muitas vezes, quando ao mesmo tempo estudamos e olhamos as crianças, corremos o grande risco de não conseguir fazer nem uma coisa nem outra. Por isso, é importante que a mãe reserve um tempo para os estudos fora de casa. Seu desempenho, tanto nos estudos quanto com a família, pode melhorar muito com idas periódicas a lugares calmos e propícios à concentração, como as bibliotecas; enquanto isso, os filhos ficam sob a supervisão da babá ou de pessoas da família”, recomenda.

Mas se você é mãe solteira e não tem ninguém disponível para ficar de olho nas crianças, a dica é a comunicação direta entre mãe e filho. “A partir do momento em que a mãe decide estudar para concursos tem que haver uma conversa com as crianças. Elas precisam entender porque não receberão mais tanta atenção como antes. Isso inclusive evita que elas interpretem a situação de forma errada e se culpem por não serem mais merecedoras dos mimos da mãe - tal insegurança pode gerar ainda mais interrupções nos estudos, pois provavelmente a criança se empenharia mais para chamar a atenção”, alerta.

Para o professor de cursos preparatórios para concursos e colunista do CorreioWeb, Rogério Neiva, o momento de estudo tem que ser especial, pois não há aprendizado sem foco. “A concentração envolve uma lógica seletiva de estímulos, ao desconsiderar todos os estímulos alheios à matéria que está sendo estudada”, argumenta. Se a mãe precisa competir a atenção dada ao estudo com a do filho, o aprendizado ficará prejudicado.

Porém, Rogério também considera essencial estar com o filho e oferecer todo o carinho que ele precisa. Por esse motivo, é importante reavaliar alguns pontos. “O ideal é que se separe muito bem os momentos em que a mãe estará dando atenção ao filho, dos momentos dedicados ao estudo”. Segundo ele, esse “ideal” faz com que nem o estudo fique prejudicado e nem o filho tenha sua atenção em segundo plano.

Busca da estabilidade faz crescer o número de mães concurseiras Fonte: fetraconspar.org.br

por Janaína Camelo


A secretária administrativa Fernanda Lima, de 35 anos, não economiza palavras nem tempo para descrever a vida que leva com o marido, a filha de três anos, o trabalho, as tarefas de casa e com os livros. Ou melhor, com as apostilas. “Depois que a Sofia chegou, pensei mais no futuro. Ela é minha maior motivação. Consigo estudar um pouco no trabalho, quando há oportunidade, mas estudo mesmo é durante a noite, depois que chego em casa e arrumo minha filha pra dormir. De manhã não dá, porque a Sofia não me deixa. A não ser quando ela quer brincar de estudar também”, diz, com um certo tom de entusiasmo. Ela conta ainda que nos finais de semana o marido a ajuda com a rotina de estudos e leva a filha pra passear por algumas horas. Enquanto isso, a secretária tenta recuperar o tempo perdido com as apostilas preparatórias.

Fernanda é mais um dos milhares de estudantes no país que se dedicam diariamente para conquistar uma vaga no setor público e que colocam seus conhecimentos à prova, literalmente. Além disso, ela se enquadra num grupo que vem crescendo entre os que tentam uma melhor colocação através dos concursos públicos: o das mães concurseiras.

Os objetivos são os mesmos de qualquer outro candidato: estabilidade e altos salários. Mas a razão desse sonho é, muitas vezes, diferente da dos demais colegas. No caso, o foco que estimula as mães concurseiras é a possibilidade de organizar melhor o tempo de modo a conciliar trabalho e atenção à família. Para elas, os filhos são o maior incentivo para a dedicação e a disciplina nos estudos. O problema é que enquanto não conseguem o emprego público e estão se preparando para ele, o esforço demandado tornar-se muito maior. “Muitas das mães enfrentam uma tripla jornada. Elas não estão largando o trabalho para estudar – estão conciliando. A pressão é tão grande que, se não houver força ou algum estímulo, é fácil desistir ou sucumbir à frustração. E é aí que entra o papel do filho. Quando essas estudantes percebem que podem esmorecer, é neles que elas buscam estímulo para não desistir do sonho pela estabilidade”, analisa o professor José Wilson Granjeiro, coordenador geral do Gran Cursos.

Busca da estabilidade

Simone Anchises, 25 anos, mãe e concurseira, reforça essa tese. “Depois que se tem filhos, sua necessidade muda, e principalmente seus objetivos na vida. Hoje, eu necessito de estabilidade e já tive experiência na empresa privada, onde não pude contar com essa vantagem que tanto quero”. Simone tem dois filhos, um de sete anos de idade e o caçula, de um ano. Desde quando soube que estava grávida do segundo filho, ela iniciou a batalha com os livros, apostilas e as provas. A rotina da concurseira não é diferente das outras mães que também estudam. É preciso um jogo de cintura para dar conta da casa, dos filhos, dos estudos e ainda dar atenção ao marido. “É bem difícil, mas não impossível. Estudo à noite, depois que ponho as crianças para dormir. Durante o dia, só nos fins de semana, quando meu marido dá uma saidinha com os meninos. Não sigo nenhum cronograma, apenas vou estudando onde vejo que tenho mais dificuldade, dependendo da matéria do concurso. Começo os estudos por volta das nove ou dez da noite, e vou até a hora que minha cabeça aguentar. Ultimamente tenho ido dormir lá pras duas ou três da madrugada”, conta.

Organização

Mesmo com toda a dificuldade para conciliar as diferentes tarefas do dia a dia, é de extrema importância para o desempenho daquela que é concurseira e mãe planejar um bom programa de estudos, afirmam os professores de cursinhos. E a disciplina para cumpri-lo à risca, é fundamental. “O dia das mães concurseiras não é de 24 horas, é de 30 horas. Claro que vão acontecer os imprevistos. E ela sabe que vai se privar de muitas coisas, de festas e de outros eventos sociais”, ressalta Granjeiro.

Mas para muitas mães, quando sobra um tempo entre uma atividade e outra, a prioridade é dos filhos. Hoje, Fernanda, que também é formada em Direito, estuda sozinha. Preferiu deixar as aulas de cursinho para passar mais tempo com a filha. “O que eu tinha que aprender no cursinho, já aprendi. Agora só reforço com os livros e as apostilas”, justifica.

Benefícios

A secretária Fernanda Lima passou um ano estudando para o concurso da Câmara dos Deputados e agora aguarda o resultado. Mesmo assim, não deu trégua para os estudos. O alvo desta vez é o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A publicação do edital está prevista para o início de 2013. São 110 vagas para candidatos de nível médio e superior, além de formação de cadastro reserva. Os salários iniciais vão de R$ 2.662,06 a R$ 4.367,68.

Apesar dos valores serem considerados bons quando comparados aos salários pagos pelo Executivo, eles estão bem aquém do que é recebido pelos servidores do Legislativo. Os funcionários do Judiciário ainda sofrem com a remuneração defasada. Mas o professor de curso preparatório, Mário Elesbão, especialista em Direito Constitucional, vê importantes vantagens para a mulher e mãe que ocupa um cargo num tribunal. “No Poder Judiciário, a jornada de trabalho funciona em carga horária corrida, o que permite ao funcionário se programar para outras atividades do dia, e, claro, mais tempo em casa com os filhos e a família”, destaca.

Além disso, o serviço público oferece inúmeros benefícios para quem tem dependentes. A legislação estabelece que os órgãos públicos federais são obrigados a conceder o período de 180 dias de licença maternidade e também o auxílio-creche, que é pago a servidores com filhos que tenham até seis anos de idade. O Senado e alguns órgãos do Poder Judiciário, como STF, STJ e TCU, oferecem também creches que atendem crianças de até dois anos de idade.

Outra importante vantagem, no caso dos órgãos públicos federais, é a garantia de um futuro amparado por um bom plano de saúde, tanto para o servidor como para seus dependentes. No caso dos filhos, o benefício é concedido até os 21 anos, ou até os 24 anos, se comprovado que o dependente cursa uma universidade.

Os chamados “auxílios” variam de acordo com cada órgão e vão desde auxílio natalidade e auxílio material escolar até salário-família e licença-doença da família. “Esse público (as mães) observa não só os salários, mas também a remuneração indireta, o conjunto de vantagens. Esses benefícios corroboram para a escolha do concurso público”, afirma Mário Elesbão.

A expectativa é de bons concursos para os próximos dez anos, de acordo com as previsões sobre o quadro de funcionários dos órgãos públicos federais. Os cursinhos preparatórios estimam que a maioria das pessoas aprovadas nas últimas provas levou em média dois anos estudando. A dica para as mães concurseiras, segundo Elesbão, é não ser imediatista. “Elas devem ir semeando aos poucos. Estude, faça uma prova. Estude, faça outra prova. O nível de concorrência é muito forte, então o conselho é não buscar um resultado imediato e, sim, ser perseverante”.


Especial para o SOS Concurseiro/Congresso em Foco
Fonte: fetraconspar.org.br

Back to Blog!

Depois de alguns... anos (!) sem aparecer por aqui, em respeito ao número de visitas que tivemos, resolvi retomar o blog!
Muita coisa aconteceu nesse meio tempo: perdi minha mãe, deprimi, voltei ao normal, voltei pra minha cidade natal e... recomecei a fazer concursos públicos!
Sou funcionária pública em outro estado, fui cedida para o estado onde moro, mas seria muito, mas muito mais prático (mesmo!) se não precisasse disso! Ou seja, se já fosse funcionária DESTE estado!
Muitas mães, mulheres modernas e ocupadíssimas estão nessa jornada nesse momento, tentado a carreira pública!
Pela primeira vez ou fazendo algum tipo de "upgrade"!
Por isso a nova série de posts: para motivar, orientar, nos ajudar e, porque não, nos consolar!
Porque não estamos sós nessa! E porque sim, NÓS PODEMOS! Enjoy it!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Descoberta de um Universo - A Evolução do Desenho infantil

"Antes eu desenhava como Rafael,
mas precisei de toda uma existência
para aprender a desenhar como as crianças".
(Picasso)


Os primeiros estudos sobre a produção gráfica das crianças datam do final do século passado e estão fundados nas concepções psicológicas e estéticas de então. É a psicologia genética, inspirada pelo evolucionismo e pelo princípio do paralelismo da filogênese com a ontogênese que impõe o estudo científico do desenvolvimento mental da criança (Rioux, 1951).
As concepções de arte que permearam os primeiros estudos estavam calcadas em uma produção estética idealista e naturalista de representação da realidade. Sendo a habilidade técnica, portanto, uma fator prioritário. Foram poucos os pesquisadores que se ocuparam dos aspectos estéticos dos desenhos infantis.
Luquet (1927 - França) fala dos 'erros' e 'imperfeições' do desenho da criança que atribui a 'inabilidade' e 'falta de atenção', além de afirmar que existe uma tendência natural e voluntária da criança para o realismo.
Sully vê o desenho da criança como uma 'arte embrionária' onde não se deve entrever nenhum senso verdadeiramente artístico, porém, ele reconhece que a produção da criança contém um lado original e sugestivo. Sully afirma ainda que as crianças são mais simbolistas do que realistas em seus desenhos (Rioux, 1951).
São os psicólogos portanto, que no final do século XIX descobrem a originalidade dos desenhos infantis e publicam as primeiras 'notas' e 'observações' sobre o assunto. De certa forma eles transpõem para o domínio do grafismo a descoberta fundamental de Jean Jacques Rousseau sobre a maneira própria de ver e de pensar da criança.
As concepções relativas a infância modificaram-se progressivamente. A descoberta de leis próprias da psique infantil, a demonstração da originalidade de seu desenvolvimento, levaram a admitir a especificidade desse universo.

A maneira de encarar o desenho infantil evolui paralelamente.

Modo de expressão próprio da criança, o desenho constitui uma língua que possui vocabulário e sua sintaxe. Percebe-se que a criança faz uma relação próxima do desenho e a percepção pelo adulto. Ao prazer do gesto associa-se o prazer da inscrição, a satisfação de deixar a sua marca. Os primeiros rabiscos são quase sempre efetuados sobre livros e folhas aparentemente estimados pelo adulto, possessão simbólica do universo adulto tão estimado pela criança pequena.

Ao final do seu primeiro ano de vida, a criança já é capaz de manter ritmos regulares e produzir seus primeiros traços gráficos, fase conhecida como dos rabiscos ou garatujas ( termo utilizado por Viktor Lowenfeld para nomear os rabiscos produzidos pela criança).

O desenvolvimento progressivo do desenho implica mudanças significativas que, no início, dizem respeito à passagem dos rabiscos iniciais da garatuja para construções cada vez mais ordenadas, fazendo surgir os primeiros símbolos Essa passagem é possível graças às interações da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas. Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu. No decorrer do tempo, as garatujas, que refletiam sobretudo o prolongamento de movimentos rítmicos de ir e vir, transformam-se em formas definidas que apresentam maior ordenação, e podem estar se referindo a objetos naturais, objetos imaginários ou mesmo a outros desenhos. Na evolução da garatuja para o desenho de formas mais estruturadas, a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico. Começando com símbolos muito simples, ela passa a articulá-los no espaço bidimensional do papel, na areia, na parede ou em qualquer outra superfície. Passa também a constatar a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais ela tem acesso, incorporando esse conhecimento em suas próprias produções. No início, a criança trabalha sobre a hipótese de que o desenho serve para imprimir tudo o que ela sabe sobre o mundo. No decorrer da simbolização, a criança incorpora progressivamente regularidades ou códigos de representação das imagens do entorno, passando a considerar a hipótese de que o desenho serve para imprimir o que se vê.

É assim que, por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.

O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, dotada de prestigio por ser "secreta", a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita ( considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho.

O desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar de registrar, marca o desenvolvimento da infância, porém em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura.

Luquet Distingue Quatro Estágios:

1- Realismo fortuito: começa por volta dos 2 anos e põe fim ao período chamado rabisco. A criança que começou por traçar signos sem desejo de representação descobre por acaso uma analogia com um objeto e passa a nomear seu desenho.

2- Realismo fracassado: Geralmente entre 3 e 4 anos tendo descoberto a identidade forma-objeto, a criança procura reproduzir esta forma.

3- Realismo intelectual: estendendo-se dos 4 aos 10-12 anos, caracteriza-se pelo fato que a criança desenha do objeto não aquilo que vê, mas aquilo que sabe. Nesta fase ela mistura diversos pontos de vista ( perspectivas ).

4- Realismo visual: É geralmente por volta dos 12 anos, marcado pela descoberta da perspectiva e a submissa às suas leis, daí um empobrecimento, um enxugamento progressivo do grafismo que tende a se juntar as produções adultas.

Marthe Berson distingue três estágios do rabisco:

1 - Estágio vegetativo motor: por volta dos 18 meses, o traçado e mais ou menos arredondado, conexo ou alongado e o lápis não sai da folha formando turbilhões.

2 - Estágio representativo: entre dois e 3 anos, caracteriza-se pelo aparecimento de formas isoladas, a criança passa do traço continuo para o traço descontinuo, pode haver comentário verbal do desenho.

3 - Estágio comunicativo: começa entre 3 e 4 anos, se traduz por uma vontade de escrever e de comunicar-se com outros. Traçado em forma de dentes de serra, que procura reproduzir a escrita dos adultos.

Em Uma Análise Piagetiana, temos:

1 - Garatuja: Faz parte da fase sensório motora ( 0 a 2 anos) e parte da fase pré-operacional (2 a 7 anos). A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente. Pode ser dividida em:

• Desordenada: movimentos amplos e desordenados. Com relação a expressão, vemos a imitação "eu imito, porém não represento". Ainda é um exercício.

• Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, pois aqui existe a exploração do traçado; interesse pelas formas (Diagrama).

Aqui a expressão é o jogo simbólico: "eu represento sozinho". O símbolo já existe. Identificada: mudança de movimentos; formas irreconhecíveis com significado; atribui nomes, conta histórias. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, aparecem sóis, radiais e mandalas. A expressão também é o jogo simbólico.

2 - Pré- Esquematismo: Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são dispersos inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido à vínculos emocionais. A figura humana, torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto a utilização das cores, pode usar, mas não há relação ainda com a realidade, dependerá do interesse emocional. Dentro da expressão, o jogo simbólico aparece como: "nós representamos juntos".

3 - Esquematismo: Faz parte da fase das operações concretas (7 a 10 anos).Esquemas representativos, afirmação de si mediante repetição flexível do esquema; experiências novas são expressas pelo desvio do esquema. Quanto ao espaço, é o primeiro conceito definido de espaço: linha de base. Já tem um conceito definido quanto a figura humana, porém aparecem desvios do esquema como: exagero, negligência, omissão ou mudança de símbolo. Aqui existe a descoberta das relações quanto a cor; cor-objeto, podendo haver um desvio do esquema de cor expressa por experiência emocional. Aparece na expressão o jogo simbólico coletivo ou jogo dramático e a regra.

4 - Realismo: Também faz parte da fase das operações concretas, mas já no final desta fase. Existe uma consciência maior do sexo e autocrítica pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base. Na figura humana aparece o abandono das linhas. As formas geométricas aparecem. Maior rigidez e formalismo. Acentuação das roupas diferenciando os sexos. Aqui acontece o abandono do esquema de cor, a acentuação será de enfoque emocional. Tanto no Esquematismo como no Realismo, o jogo simbólico é coletivo, jogo dramático e regras existiram.

5 - Pseudo Naturalismo: Estamos na fase das operações abstratas (10 anos em diante)É o fim da arte como atividade expontânea. Inicia a investigação de sua própria personalidade. Aparece aqui dois tipos de tendência: visual (realismo, objetividade); háptico ( expressão subjetividade) No espaço já apresenta a profundidade ou a preocupação com experiências emocionais (espaço subjetivo). Na figura humana as características sexuais são exageradas, presença das articulações e proporções. A consciência visual (realismo) ou acentuação da expressão, também fazem parte deste período. Uma maior conscientização no uso da cor, podendo ser objetiva ou subjetiva. A expressão aparece como: "eu represento e você vê" Aqui estão presentes o exercício, símbolo e a regra.

E ainda alguns psicólogos e pedagogos, em uma linguagem mais coloquial, utilizam as seguintes referencias:

• De 1 a 3 anos

É a idade das famosas garatujas: simples riscos ainda desprovidos de controle motor, a criança ignora os limites do papel e mexa todo o corpo para desenhar, avançando os traçados pelas paredes e chão. As primeiras garatujas são linhas longitudinais que, com o tempo, vão se tornando circulares e, por fim, se fecham em formas independentes, que ficam soltas na página. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.

• De 3 a 4 anos

Já conquistou a forma e seus desenhos têm a intenção de reproduzir algo. Ela também respeita melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco.

• De 4 a 5 anos

É uma fase de temas clássicos do desenho infantil, como paisagens, casinhas, flores, super-heróis, veículos e animais, varia no uso das cores, buscando um certo realismo. Suas figuras humanas já dispõem de novos detalhes, como cabelos, pés e mãos, e a distribuição dos desenhos no papel obedecem a uma certa lógica, do tipo céu no alto da folha. Aparece ainda a tendência à antropomorfização, ou seja, a emprestar características humanas a elementos da natureza, como o famoso sol com olhos e boca. Esta tendência deve se estender até 7 ou 8 anos.

• De 5 a 6 anos

Os desenhos sempre se baseiam em roteiros com começo, meio e fim. As figuras humanas aparecem vestidas e a criança dá grande atenção a detalhes como as cores. Os temas variam e o fato de não terem nada a ver com a vida dela são um indício de desprendimento e capacidade de contar histórias sobre o mundo.

• De 7 a 8 anos

O realismo é a marca desta fase, em que surge também a noção de perspectiva. Ou seja, os desenhos da criança já dão uma impressão de profundidade e distância. Extremamente exigentes, muitas deixam de desenhar, se acham que seus trabalhos não ficam bonitos.

Como podemos perceber o linha de evolução é similar mudando com maior ênfase o enfoque em alguns aspectos. O importante é respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, sem intervenção direta, explorando diversos materiais, suportes e situações.

Para tentarmos entender melhor o universo infantil muitas vezes buscamos interpretar os seus desenhos, devemos porem lembrar que a interpretação de um desenho isolada do contexto em que foi elaborado não faz sentido.

É aconselhável, ao professor, que ofereça às crianças o contato com diferentes tipos de desenhos e obras de artes, que elas façam a leitura de suas produções e escutem a de outros e também que sugira a criança desenhar a partir de observações diversas (cenas, objetos, pessoas) para que possamos ajudá-la a nutrisse de informações e enriquecer o seu grafismo. Assim elas poderão reformular suas idéias e construir novos conhecimentos.

Enfim, o desenho infantil é um universo cheio de mundos a serem explorados.


Autora: Thereza Bordoni

Referências Bibliográficas

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